O que é um iron condor, como funciona e como utilizá-lo?
Nível: Intermediário
Conteúdo
O que é um iron condor?
O iron condor (curto) é uma estratégia neutra de 4 pernas, montada a crédito, que lucra quando a ação permanece dentro de uma faixa de preços até o vencimento.
Na prática, um iron condor nada mais é do que a combinação de duas travas a crédito montadas ao mesmo tempo, no mesmo vencimento:
- Uma trava de alta com puts (vende uma put e compra outra put de strike mais baixo), posicionada abaixo do preço atual da ação;
- Uma trava de baixa com calls (vende uma call e compra outra call de strike mais alto), posicionada acima do preço atual da ação.
As duas opções vendidas (a put e a call) ficam mais próximas do preço atual e são as que geram o prêmio. As duas opções compradas, mais distantes, funcionam como “asas” de proteção: elas limitam o prejuízo máximo dos dois lados e definem exatamente quanto se pode perder na pior hipótese.
Como ambas as travas são vendidas, o trader recebe um crédito líquido ao montar a posição. Se a ação ficar entre os dois strikes vendidos até o vencimento, todas as opções expiram sem valor e o trader fica com o crédito integral.
Outros nomes
Condor de ferro
Pressuposto direcional
Neutro. O iron condor não aposta em alta nem em baixa: o lucro vem da ação ficar dentro de uma faixa de preços (entre os strikes vendidos) até o vencimento. É uma estratégia para quando a expectativa é de movimento lateral.
Ambiente de volatilidade implícita ideal
Alto. Como o iron condor vende prêmio dos dois lados (uma put e uma call), quanto maior a volatilidade implícita no momento da montagem, maior o crédito recebido e mais largos podem ser os strikes — ou seja, maior a faixa de lucro para o mesmo risco. Além disso, se a volatilidade implícita cair depois da montagem, a posição tende a se valorizar mesmo sem grande movimento do preço.
Gráfico de lucro/perda
O gráfico tem o formato característico de “mesa”: um platô de lucro máximo entre os dois strikes vendidos, descendo em rampa até os strikes comprados, onde o prejuízo máximo trava dos dois lados.
Setup
Com a ação sendo negociada em um determinado preço, todas as opções no mesmo vencimento:
- Compra uma put OTM de strike mais baixo (asa de proteção de baixo);
- Vende uma put OTM de strike mais alto que a anterior (perna vendida de baixo);
- Vende uma call OTM acima do preço atual (perna vendida de cima);
- Compra uma call OTM de strike ainda mais alto (asa de proteção de cima).
Em geral, as duas travas são montadas com a mesma largura (distância entre o strike vendido e o comprado de cada lado), o que deixa o risco simétrico nos dois lados.
Uma referência comum de montagem é buscar um crédito em torno de 1/3 da largura das travas: com essa relação, a probabilidade de a operação terminar com lucro fica em torno de dois terços. Créditos muito menores que isso pagam pouco pelo risco assumido; créditos muito maiores geralmente significam strikes vendidos perto demais do preço atual.
Exemplo prático
Imagine que a ação ABC está sendo negociada a R$ 100 e o trader acredita que ela ficará em uma faixa lateral até o vencimento. Ele monta o seguinte iron condor:
| Perna | Operação | Strike | Prêmio |
|---|---|---|---|
| Put comprada | Compra | R$ 90 | paga R$ 1,00 |
| Put vendida | Venda | R$ 95 | recebe R$ 2,00 |
| Call vendida | Venda | R$ 105 | recebe R$ 2,00 |
| Call comprada | Compra | R$ 110 | paga R$ 1,00 |
Crédito líquido recebido: R$ 2,00 + R$ 2,00 − R$ 1,00 − R$ 1,00 = R$ 2,00 por ação (R$ 200 por conjunto de 4 pernas, considerando o lote padrão de 100 ações por contrato).
Vejamos alguns cenários no vencimento:
Cenário 1 — ABC fica em R$ 100 (dentro da faixa): todas as quatro opções expiram sem valor. O trader fica com o crédito integral de R$ 2,00 por ação — o lucro máximo. O mesmo vale para qualquer preço entre R$ 95 e R$ 105.
Cenário 2 — ABC cai para R$ 93 ou sobe para R$ 107 (pontos de equilíbrio): um dos strikes vendidos fica R$ 2,00 dentro do dinheiro. A perda de R$ 2,00 na perna vendida é exatamente compensada pelo crédito de R$ 2,00 recebido. Resultado: zero a zero.
Cenário 3 — ABC cai para R$ 88 (abaixo da asa de baixo): a trava de puts atinge sua perda máxima. A put vendida de R$ 95 perde R$ 7,00, mas a put comprada de R$ 90 recupera R$ 2,00, limitando a perda da trava a R$ 5,00. Descontando o crédito de R$ 2,00 recebido, o prejuízo final é de R$ 3,00 por ação — o prejuízo máximo. Abaixo de R$ 90, não importa o quanto a ação caia mais: a perda não aumenta.
Cenário 4 — ABC sobe para R$ 112 (acima da asa de cima): situação espelhada. A trava de calls perde os R$ 5,00 de largura, e com o crédito de R$ 2,00 o prejuízo final também é de R$ 3,00 por ação. Acima de R$ 110, a perda fica travada.
Repare que só um lado pode dar errado por vez: a ação não pode estar abaixo de R$ 90 e acima de R$ 110 ao mesmo tempo. Por isso o risco da estrutura é a largura de uma trava menos o crédito total.
Lucro máximo, prejuízo máximo e pontos de equilíbrio
Lucro máximo
Crédito líquido recebido
No exemplo: R$ 2,00 por ação, obtido se a ação ficar entre R$ 95 e R$ 105 no vencimento.
Prejuízo máximo
Largura da trava mais larga − crédito líquido recebido
No exemplo: R$ 5,00 − R$ 2,00 = R$ 3,00 por ação, se a ação fechar abaixo de R$ 90 ou acima de R$ 110.
Pontos de equilíbrio
Ponto de baixo: strike da put vendida − crédito recebido
Ponto de cima: strike da call vendida + crédito recebido
No exemplo: R$ 95 − R$ 2,00 = R$ 93 e R$ 105 + R$ 2,00 = R$ 107. A posição lucra em qualquer fechamento entre esses dois preços.
Quando usar
O iron condor faz sentido quando:
- A expectativa é de mercado lateral: o trader não tem opinião direcional forte e acredita que a ação ficará dentro de uma faixa até o vencimento.
- A volatilidade implícita está alta: prêmios mais gordos permitem receber mais crédito ou afastar mais os strikes, aumentando a probabilidade de sucesso.
- Se busca risco definido: diferente de vender uma put e uma call a descoberto (o chamado strangle vendido), o iron condor tem prejuízo máximo conhecido desde a montagem, graças às asas compradas. Isso também reduz a margem exigida.
- Se quer aproveitar a passagem do tempo: como a posição é líquida vendedora de prêmio, o theta trabalha a favor — a cada dia que a ação não se move, as opções vendidas perdem valor e a posição lucra.
Por outro lado, o iron condor não é indicado quando há eventos com potencial de movimento forte no horizonte (divulgação de resultados, decisões de juros) ou quando a ação está em tendência clara.
Como gerenciar/fechar
Fechar com parte do lucro: não é preciso esperar o vencimento. Uma prática comum é recomprar a estrutura quando ela já capturou em torno de 50% do lucro máximo. Fechar antes reduz o risco de um movimento tardio devolver o lucro acumulado, libera capital para novas operações e, ao longo do tempo, tende a aumentar a taxa de acerto — realizar os ganhos cedo evita que operações vencedoras virem perdedoras.
Rolar o lado não testado: se a ação se move com força para um dos lados (digamos, cai em direção às puts), a trava de calls fica distante e quase sem valor. O trader pode recomprar essa trava de calls barata e vender uma nova com strikes mais próximos do preço atual. Isso aumenta o crédito total recebido, o que reduz o prejuízo máximo e melhora o ponto de equilíbrio do lado pressionado — em troca de estreitar a faixa de lucro.
Virar um iron fly: em uma defesa mais agressiva, o trader pode rolar o lado não testado até que a call vendida e a put vendida fiquem no mesmo strike. A estrutura vira um iron fly (borboleta de ferro), que maximiza o crédito coletado, mas concentra o lucro em uma faixa bem mais estreita.
Aceitar a perda: se a ação romper decisivamente uma das asas e a tese de lateralidade estiver invalidada, fechar a posição e assumir a perda (que é limitada por construção) costuma ser melhor do que insistir em defesas sucessivas.
Diferenças no Brasil: montar um iron condor exige negociar 4 pernas de uma vez, o que depende de liquidez em vários strikes e vencimentos — na B3, a estratégia costuma funcionar melhor nos ativos com opções mais líquidas, como PETR4, VALE3 e BOVA11. Quando as travas são reconhecidas como estrutura, a margem exigida tende a ficar limitada ao risco máximo da operação (largura da trava menos o crédito), e não à soma das pernas vendidas isoladas. Atenção ao estilo de exercício: no padrão da B3, as calls sobre ações são americanas, então a perna de call vendida pode ser exercida antes do vencimento (risco maior quando ela está dentro do dinheiro perto de datas de proventos), enquanto as puts são europeias. Por fim, os spreads entre compra e venda (bid/ask) costumam ser mais largos do que no mercado americano — com 4 pernas, esse custo se multiplica e pode corroer boa parte do crédito, então vale usar ordens limitadas e avaliar se o prêmio recebido compensa.
Resumo
O iron condor curto é uma estratégia neutra, de risco definido, formada por quatro pernas: uma trava de alta com puts abaixo do preço da ação e uma trava de baixa com calls acima, ambas vendidas a crédito no mesmo vencimento.
O lucro máximo é o crédito líquido recebido e ocorre se a ação ficar entre os dois strikes vendidos até o vencimento. O prejuízo máximo é a largura da trava menos o crédito, e ocorre se a ação fechar além de uma das asas compradas. Os pontos de equilíbrio ficam a uma distância igual ao crédito recebido, para fora de cada strike vendido.
A estratégia se beneficia da passagem do tempo e da queda da volatilidade implícita, e por isso é tipicamente montada quando a volatilidade implícita está alta e a expectativa é de mercado lateral. O gerenciamento usual envolve realizar parte do lucro antes do vencimento, rolar o lado não testado quando a ação pressiona um dos lados ou, em último caso, aceitar a perda limitada.
Perguntas frequentes
O que é um iron condor e como funciona?
É uma estratégia neutra de 4 pernas: vende-se uma put e uma call fora do dinheiro (formando a faixa de lucro) e compram-se uma put de strike mais baixo e uma call de strike mais alto (as asas, que limitam o risco). O trader recebe um crédito ao montar e fica com ele integralmente se a ação terminar entre os strikes vendidos no vencimento.
Qual é o risco máximo de um iron condor?
O prejuízo máximo é a largura de uma das travas menos o crédito recebido. No exemplo desta página, travas de R$ 5,00 de largura com crédito de R$ 2,00 resultam em risco máximo de R$ 3,00 por ação. Como a ação só pode romper um lado por vez, apenas uma das travas pode atingir a perda máxima.
Qual a diferença entre um iron condor e um strangle vendido?
O strangle vendido tem apenas as duas pernas vendidas (put e call), sem as asas de proteção. Ele recebe mais crédito, mas o risco é indefinido se a ação disparar ou despencar. O iron condor troca parte do crédito pela compra das asas, travando o prejuízo máximo e, em geral, reduzindo a margem exigida.
Quando devo fechar um iron condor?
Uma abordagem comum é fechar quando a posição já capturou uma boa fração do lucro máximo (por exemplo, cerca de metade do crédito), sem esperar o vencimento. Se a ação pressionar um dos lados, o trader pode rolar o lado não testado para coletar mais crédito ou, se a tese de lateralidade for invalidada, fechar a posição e aceitar a perda limitada.
O iron condor funciona no mercado brasileiro?
Sim, mas com ressalvas: são 4 pernas, então é preciso liquidez em vários strikes — o que na B3 restringe a estratégia aos ativos de opções mais negociadas. Também é preciso considerar que as calls no padrão da B3 são americanas (risco de exercício antecipado na perna vendida) e que os spreads de compra e venda mais largos podem reduzir o crédito efetivamente capturado.