Como ler a grade de opções (options chain)

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O que é a grade de opções?

A grade de opções — também chamada de cadeia de opções ou options chain — é o painel que reúne, em uma única tela, todos os contratos de opção disponíveis para um ativo: calls e puts, organizados por vencimento e por preço de exercício, com cotações atualizadas em tempo real durante o pregão.

Se as opções são o cardápio, a grade é o menu impresso: é nela que você compara preços, enxerga onde está a liquidez e escolhe exatamente qual contrato negociar. Antes de montar qualquer operação, é pela grade que tudo começa.

Como a grade é organizada

Quase todas as plataformas seguem o mesmo layout:

  • Calls de um lado, puts do outro. O padrão mais comum coloca as calls à esquerda e as puts à direita, com a coluna de strikes no centro servindo de eixo para os dois lados.
  • Strikes em ordem crescente. Cada linha da grade corresponde a um strike. O preço atual do ativo costuma ser destacado (uma linha ou sombreamento), dividindo a grade em regiões dentro e fora do dinheiro.
  • Um vencimento por vez. Você seleciona a data de vencimento e a grade mostra todos os strikes daquela série. Vencimentos mais próximos têm mais strikes listados e mais negócios.

Essa organização não é estética: ela permite comparar, na mesma linha, quanto custa a call e quanto custa a put de um mesmo strike — e, descendo a coluna, como o prêmio muda conforme o strike se afasta do preço atual.

As colunas da grade, uma a uma

Os nomes variam de plataforma para plataforma, mas as informações são as mesmas:

  • Bid (compra): o maior preço que alguém está disposto a pagar pelo contrato neste momento. É o preço que você recebe se vender “a mercado”.
  • Ask (venda): o menor preço pelo qual alguém aceita vender. É o que você paga se comprar “a mercado”.
  • Último: o preço do negócio mais recente. Cuidado: em séries pouco negociadas, o “último” pode ter acontecido horas atrás (ou dias) e não refletir o preço justo atual — o par bid/ask é mais confiável.
  • Volume: quantos contratos foram negociados no dia. Mede a atividade hoje.
  • Contratos em aberto (open interest): quantos contratos existem “vivos”, ainda não encerrados nem exercidos. Mede o tamanho acumulado do mercado naquele strike — leia mais em contratos em aberto.
  • Strike: o preço de exercício do contrato.
  • Vencimento: a data em que o contrato expira.
  • IV (volatilidade implícita): a expectativa de oscilação futura embutida no prêmio daquela opção — o conceito completo está em volatilidade implícita.
  • Gregas (delta, gamma, theta, vega): as sensibilidades do prêmio a preço, tempo e volatilidade. O delta, em particular, aparece em quase toda grade e ajuda a estimar a probabilidade de a opção terminar dentro do dinheiro — veja as gregas.

Exemplo: mini-grade de PETR4

Suponha PETR4 negociada a R$ 38,50, com a série de vencimento em cerca de 30 dias. Uma grade simplificada (valores fictícios, para ilustração):

CallBidAskVol.C.A.StrikeBidAskVol.C.A.Put
PETRH3652,702,821.2008.50036,500,500,589006.200PETRT365
PETRH3752,002,085.40021.00037,500,800,864.10018.400PETRT375
PETRH3851,501,559.80035.70038,501,301,368.90031.200PETRT385
PETRH3951,051,116.20024.30039,501,851,952.70012.800PETRT395
PETRH4050,680,761.8009.10040,502,452,701501.900PETRT405

O que essa grade conta:

  • No strike 38,50 (ao lado do preço atual), volume e contratos em aberto são os maiores da grade e o spread da call é de apenas R$ 0,05 — é ali que o mercado está.
  • A call de 36,50 custa mais que a de 40,50 porque já carrega R$ 2,00 de valor intrínseco; com as puts, acontece o espelho.
  • A put de 40,50 quase não negocia (150 contratos no dia) e tem spread de R$ 0,25 — entrar e sair dela custa caro.

Como identificar ITM, ATM e OTM na grade

Com o preço atual do ativo como referência (no exemplo, R$ 38,50), a leitura é imediata:

  • Calls dentro do dinheiro (ITM): strikes abaixo do preço atual — na grade, as linhas acima da marcação do preço, do lado das calls. São mais caras porque têm valor intrínseco.
  • Puts dentro do dinheiro: o inverso — strikes acima do preço atual.
  • No dinheiro (ATM): o strike mais próximo da cotação atual. É onde o valor extrínseco é máximo e a negociação costuma ser mais intensa.
  • Fora do dinheiro (OTM): calls acima e puts abaixo do preço atual. São mais baratas, mas têm menor probabilidade de terminar com valor no vencimento.

Muitas plataformas sombreiam a região dentro do dinheiro, o que torna a fronteira visual. O conceito completo está em moneyness.

Spread bid-ask: o termômetro da liquidez

A distância entre o bid e o ask é o indicador de liquidez mais direto da grade:

  • Spread estreito (poucos centavos) indica mercado ativo e eficiente: você entra e sai perto do preço justo, e o custo implícito de negociar é pequeno.
  • Spread largo indica pouca competição entre compradores e vendedores. Você “paga o spread” duas vezes — na entrada e na saída — e isso pode consumir boa parte do resultado da operação.

Uma régua prática: compare o spread com o prêmio. Um spread de R$ 0,05 numa opção de R$ 1,50 é ~3% do prêmio; um spread de R$ 0,25 numa opção de R$ 2,55 já passa de 9%. Volume alto e muitos contratos em aberto costumam andar juntos com spreads estreitos — verifique os três antes de operar.

Em opções pouco líquidas, nunca use ordens a mercado. Use ordem limitada, começando perto do meio do spread, e ajuste aos poucos.

Como usar a grade para escolher strikes

A grade é a ferramenta de trabalho na hora de definir o strike de uma operação:

  1. Escolha o vencimento primeiro. Ele define quais strikes e quais prêmios estão na mesa.
  2. Localize o preço atual e delimite a região dentro/fora do dinheiro conforme a direção da sua tese.
  3. Use o delta como atalho de probabilidade. Um delta de 0,30 numa call OTM sugere, grosso modo, cerca de 30% de chance de terminar dentro do dinheiro — útil para calibrar agressividade.
  4. Confira a IV do strike. Prêmios inflados por IV alta favorecem estratégias de venda; IV baixa barateia a compra.
  5. Filtre pela liquidez. Entre dois strikes parecidos, prefira o de maior volume, mais contratos em aberto e menor spread — a diferença aparece no preço de execução.

O passo a passo completo de seleção está em como escolher o strike certo.

Diferenças no Brasil: na B3, cada linha da grade é uma série com código próprio, no formato raiz + letra do mês + número: em PETRA250, “PETR” é a raiz do ativo, a letra indica o mês de vencimento — A a L para calls (A = janeiro, B = fevereiro…) e M a X para puts (M = janeiro, N = fevereiro…) — e o número final é ligado ao strike (mas nem sempre igual a ele; confira o strike real na plataforma). O vencimento mensal padrão ocorre na terceira sexta-feira do mês. E a maior diferença prática: a liquidez é concentrada em poucos ativos (tipicamente os mais negociados da bolsa e ETFs de índice) e nos strikes próximos do dinheiro — boa parte das linhas da grade brasileira simplesmente não tem negócios, com bid/ask vazios ou spreads enormes. Veja o comparativo completo em opções nos EUA vs. Brasil.

Resumo

  • A grade de opções lista todos os contratos de um ativo — calls de um lado, puts do outro, strikes no centro — com cotações em tempo real por vencimento.
  • As colunas essenciais: bid/ask, último negócio, volume, contratos em aberto, strike, vencimento, volatilidade implícita e gregas.
  • ITM, ATM e OTM são identificados comparando cada strike com o preço atual do ativo; calls ITM ficam abaixo dele, puts ITM acima.
  • O spread bid-ask é o termômetro de liquidez: estreito significa mercado eficiente; largo significa custo alto para entrar e sair.
  • Para escolher strikes: defina o vencimento, use o delta como proxy de probabilidade, avalie a IV e priorize séries líquidas.
  • Na B3, as séries têm códigos próprios (letra do mês A–L para calls, M–X para puts), vencimento na 3ª sexta-feira e liquidez concentrada perto do dinheiro.

Perguntas frequentes

Por que tantas linhas da grade aparecem sem preço ou sem negócios?

Porque nem todo strike listado tem interesse do mercado. A bolsa disponibiliza dezenas de séries, mas compradores e vendedores se concentram nos strikes próximos do preço atual e nos vencimentos mais curtos. No Brasil esse efeito é ainda mais forte: fora dos ativos mais líquidos, a maior parte das séries fica sem bid, sem ask ou sem um único negócio no dia.

Devo olhar o “último preço” ou o bid/ask?

O par bid/ask. O último negócio pode ter ocorrido horas atrás, com o ativo em outro patamar — em séries pouco líquidas, ele é quase sempre um retrato desatualizado. O meio do spread (média entre bid e ask) é a melhor estimativa rápida do preço justo atual.

Qual a diferença entre volume e contratos em aberto?

Volume conta os negócios de hoje; contratos em aberto contam quantas posições continuam vivas, acumuladas ao longo do tempo. Uma série pode ter volume zero no dia e milhares de contratos em aberto (posições montadas antes), ou volume alto e pouco open interest (negociação intradiária que abre e fecha). Para avaliar liquidez, olhe os dois juntos, além do spread.

A call e a put do mesmo strike deveriam custar o mesmo?

Não. O prêmio de cada uma depende de onde o strike está em relação ao preço atual: no exemplo de PETR4 a R$ 38,50, a call de 36,50 vale mais que a put de 36,50 porque só a call tem valor intrínseco ali. No strike no dinheiro os prêmios ficam mais próximos, mas diferenças de juros e de expectativa entre alta e queda ainda produzem valores distintos.

Como sei se uma opção da grade está cara ou barata?

Preço absoluto não diz nada — uma opção de R$ 0,50 pode estar cara e uma de R$ 3,00, barata. O que importa é a volatilidade implícita embutida no prêmio, comparada ao histórico do próprio ativo. A coluna de IV da grade é o ponto de partida dessa análise.


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